Acostumado ao tradicionalismo inglês, fiquei boquiaberto quando Jimmy Page sobe ao palco, de guitarra em punho, para acompanhar a Leona Lewis num cover da Whole Lotta Love dos Led Zeppelin. Apenas digo que a «machidão» atingiu níveis estratosféricos, eclipsando por os cantores chineses, que haviam actuado momentos antes. Em boa verdade ninguém percebia patavina do que dizia. Aqui fica a actuação (para ver o vídeo (imagens e som) é preciso fazer download no endereço indicado):
sábado, agosto 30, 2008
Encerramento dos Jogos Olímpicos
Acostumado ao tradicionalismo inglês, fiquei boquiaberto quando Jimmy Page sobe ao palco, de guitarra em punho, para acompanhar a Leona Lewis num cover da Whole Lotta Love dos Led Zeppelin. Apenas digo que a «machidão» atingiu níveis estratosféricos, eclipsando por os cantores chineses, que haviam actuado momentos antes. Em boa verdade ninguém percebia patavina do que dizia. Aqui fica a actuação (para ver o vídeo (imagens e som) é preciso fazer download no endereço indicado):
sexta-feira, agosto 29, 2008
Uma achega sobre a «vaga de criminalidade»
«Como mostra o gráfico, a criminalidade violenta diminuiu em 2007 cerca de 10%. Os dados para o primeiro semestre de 2008 dão um aumento de 10%, o que anula a diminuição de 2007. A ciminalidade de 2008 está aos níveis de 2006. A suposta onda de criminalidade afinal era o estado habitual do país em 2006. Alguém se lembra desses tempos terríveis?»João Miranda via Blasfémias
segunda-feira, agosto 25, 2008
Agora é que a porca torce o rabo
-Raul Castro, presidente de Cuba, preparando os cubanos para uma redução geral dos subsídios governamentais; in Time.
Pois. Era o que me tinha parecido.
Para quem acha que a arte contemporânea é toda uma seca
O sítio oficial e o blog do pintor Blu.
sexta-feira, agosto 22, 2008
Barbaridades a preços módicos
Os inquéritos de Verão são uma secção essencial nas revistas e jornais. O conhecimento adquirido nessas páginas é indispensável para perceber as mentalidades do nosso país.
Depois de descobrir que Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, considera Álvaro Cunhal, o tipo que apoiou a invasão da antiga Checoslováquia pela União Soviética, durante a Primavera de Praga(um exemplo chega), o seu político preferido, fico a saber que Ana Mendes, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, é Federalista. À pergunta «Era capaz de anexar Portugal? A que país?», respondeu «Sou federalista. Anexava os países da União Europeia uns aos outros, numa nova entidade política supranacional». Isto pode parecer algo simples, mas não é.
Cara Ana, a tua posição é um pouco difícil de compreender. Normalmente, as pessoas assumem uma posição porque, na sua perspectiva, é o melhor a fazer. Porém, não consigo encaixar a ideia que, se Portugal fosse governado por uma elite política, a partir Bruxelas, estaríamos melhor. Num período em que se discute a importância da regionalização, devido ao umbiguismo dos nossos dirigentes em relação a Lisboa, parece-te uma boa ideia mudar o centro decisório uns 2000km para Nordeste? Perder a autonomia diplomática iria beneficiar-nos no comércio com os PALOP's? Ser um Estado como a Califórnia ou o Texas seria uma melhoria? Ou simplesmente não sabes do que estás a falar? Talvez os tachos na Europa sejam melhor remunerados do que cá? Principalmente para dizer palermice. É isso? Assim já nos entendemos.
sábado, agosto 16, 2008
«Me is heading West Side»
terça-feira, agosto 12, 2008
Os «Pseudós»
E, para finalizar o bolo, um pequeno texto, em que Che louva a Coreia do Norte, liderada por Kim Il-Sung:
Há coisas fantásticas, não há?“De los países socialistas que visitamos personalmente, Corea es uno de los más extraordinarios. Quizás es el que nos ha impresionara más de todos ellos. Hoy tiene una literatura y una cultura nacionales, y un orden nacional, y un desarrollo ilimitado, prácticamente, de la cultura. Tiene enseñanza secundaria, que allá es hasta el noveno grado, obligatorio para todo el mundo. Tienen en toda la industria el problema que ojalá nosotros tuviéramos hoy –que tendremos dentro de 2 o 3 años–, que es el problema de la falta de mano de obra.
Corea está mecanizando aceleradamente toda la agricultura para lograr mano de obra para poder realizar sus planes, y también se está preparando para llevar a los hermanos de Corea del Sur el producto de fábricas de tejidos y otras, para ayudarlos a sobrellevar el peso de la dominación colonial norteamericana.
Es, realmente, el ejemplo de un país que gracias a un sistema y a dirigentes extraordinarios, como es el mariscal Kim Il Sum, ha podido salir de las desgracias más grandes para ser hoy un país industrializado. Corea del Norte podía ser para cualquiera aquí en Cuba, el símbolo de uno de los tantos países atrasados del Asia. Sin embargo, nosotros le vendemos un azúcar semielaborado como es el azúcar crudo, y otros productos aún sin elaborar, como es el henequén, y ellos nos venden tornos prensadores, toda clase de maquinaria, maquinaria de minas, es decir, de productos en que ya se necesita una alta capacidad técnica para producir. Por eso es uno de los países que nos entusiasma más.”
sábado, agosto 09, 2008
Jornais e Gelados
sexta-feira, julho 25, 2008
Como é que isto me foi acontecer?!
terça-feira, julho 08, 2008
Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde 2008
sexta-feira, junho 27, 2008
O tipo que está sempre a mudar de blogues
quinta-feira, junho 26, 2008
Este gajo é o Maior!
«I never meant to say that the Conservatives are generally stupid. I meant to say that stupid people are generally Conservative. I believe that is so obviously and universally admitted a principle that I hardly think any gentleman will deny it.»
Letter to the Conservative MP, Sir John Pakington (March 1866)
quarta-feira, junho 25, 2008
Quartas-Feiras VI
Por motivo que desconheço, a quarta-feira é o meu dia preferido da semana.
sábado, junho 21, 2008
Porque no te callas?
sábado, junho 14, 2008
segunda-feira, junho 02, 2008
Recarga
«But first things first», já diziam os Yankees. É indelicado não me apresentar. Para ser conciso, posso descrever-me como um «cão do mato» reformado que responde pelo nome de Jacinto, Jaz para os amigos. Cão do mato, porque sempre tive um espírito meio vagabundo e selvagem, reformado, porque já me deixei dessas andanças. Com 23 anos já sou um jovem idoso. Ou talvez um jovem preguiçoso. Amolecido? Não importa. Não interessa.
Estudava na Universidade do Minho há cinco anos. Finalista em Direito, aluno exemplar, modéstia à parte, uma característica que tenho como omniausente. (Nunca me dei com gente humilde. Os vaidosos são imbuídos de uma graça quase mística. Só não vê quem é ceguinho.)
Posso dizer que entrei em Braga algo desconfiado. Falaram-me maravilhas desta terra. Sempre fui ateu militante no que às expectativas paradisíacas concerne. Uma espécie de S. Tomé profano, digamos. A princípio a integração deu-se bem. Aquele ano de atraso no secundário tinha-me dado a estaleca extra que faltava a alguns dos meus colegas. Uns não se adaptaram ao ambiente. No ensino superior não se resolvem os problemas com os punhos. É preciso astúcia. Manha. Olho para a coisa. E na arte de observar, eu era o solista naquela ópera. Mas isto são dossiers com contas que não quero pagar agora. Não ando abonado de finanças. Nem de tempo.
As vozes delas provocavam um excesso de fritura nas batatas, com um sabor maravilhoso já de si. Fui tomado de assalto por uma sensação de náusea. Só me apetecia vomitar aquele quotidiano para cima de alguém importante. Só porque podia. Só porque sim. Um daqueles momentos belos em que a nossa existência parece uma piada foleira contada num bar de alterne. Com brilhantina no cabelo e uma vestimenta azeiteira. Numa matiné de domingo. O autor desta história estava notoriamente a gozar comigo. E elas a conversarem sobre as últimas promoções das suas lojas favoritas de pronto-a-vestir. Aquilo que está mais na berlinda. (Será que “berlinda” é a palavra mais na berlinda para expressar “últimas tendências”? Não me parece que se importem com o que penso ou deixo de pensar. Tanto melhor. Se raciocinar em termos parolos não vai haver ninguém que me censure.)
A Teresa continuava a tagarelar incessantemente. A cantina-orquestra actuava à minha volta enquanto a soprano cantava mesmo ao meu lado. Os cabelos castanhos pelos ombros criavam uma parabólica protectora, apenas permitindo ver os seus finos lábios alternadamente entre gesticulações. Movia-se, insinuante, para trás e para a frente na cadeira, ao mesmo tempo que a sua “pochete” acenava afirmativamente a tudo o que a dona dizia. Teresa Salgado, a minha Teresa, mesmo à minha esquerda, com todo o seu à vontade e todo o seu glamour. Em que rifa é que me saiu este prémio?
Vi-me pintado num quadro infeliz da minha autoria. Talvez o resultado tenha surgido de uma inspiração obtida à base de estupefacientes. Um sujeito bastante ébrio costuma desequilibrar-se e cair, mas eu tinha-me aguentado verticalmente até aquele ponto. Havia chegado a hora da ressaca, as dores de cabeça, as tonturas e o juízo. Sentia-me parvo, tal como em todos os dias que sucediam a consumos excessivos de substâncias não recomendadas a menores.
Chegara a altura de ponderar e desesperar, réu perante a minha consciência, qual fantasma do Natal Passado a bater à porta. As escolhas que tinham ditado este beco sem saída pareciam-me longínquas, difusas, como se tivessem sido ponderadas e executadas numa vida passada. Não havia defesa, não haviam provas nem testemunhas, apenas um dedo apontado e um fardo enorme a pesar. Um enorme pesar.
(Quando os sonhos morrem, dormir é um mero intervalo entre adormecer e despertar, um feixe de tempo insignificante. É assim que se fica submetido à execução de tarefas e actividades corriqueiras e monótonas. É assim que só se vive de dia, como uma engrenagem.)
Levantei-me e fui em direcção à casa de banho sem dar satisfações.
-Onde vais, Jacinto? – foram as palavras que não quis ouvir a Teresa pronunciar.
Acotovelei as pessoas que estavam na fila à espera de um “almoço mistério”. As ementas, não raras vezes, estão erradas e trazem surpresas desagradáveis…
Entrei na casa de banho e passei a cara por água, a ver se arrefecia os motores já quentes, de tanto matutar. Ali, sozinho, sentia-me muito mais calmo, o barulho era menor e conseguia ouvir os meus pensamentos. Talvez estivesse a ter apenas um dia mau. Às tantas era isso. Um dia demasiado stressante, com uma carga horária elevada, trabalhos para fazer… Uma folga era bem capaz de resolver. Faltava às aulas de tarde e ia passear sozinho para o Bom Jesus. Desenrascava um piquenique à maneira e ficava tudo porreiro. Um tempo só para mim enquanto contemplava a Natureza e os avós a brincar com os netos. Nem mais.
Apressei-me a regressar à mesa. Momentos depois, preparava-me para avisar a Teresa do que se iria suceder. Estava decidido a tirar umas horas para dedicar ao meu atarefado umbigo.
-Teresa, hoje…
-Não vês que agora estou a falar? Tem calma contigo…
Fiquei fulo. Senti um molho de parafusos a cair ao chão e três ou quatro fusíveis a plissar. A minha pachorra tinha dado as últimas. Primeiro ignoraram-me e agora opunham-se a qualquer intenção comunicativa da minha parte?
Não poucas vezes ouvi dizer: “Guardares aquilo que sentes dá azia”. Parecia que tinha chegado a hora de iniciar o programa de auto-ajuda para raivosos compulsivos. Só me apetecia mandar os tabuleiros pelo ar e fazer uma escandaleira em frente a toda a gente. (Qual seria a reacção das pessoas perante um fenómeno tão anormal como este? Às vezes ponho-me a pensar como é que as pessoas reagiriam se, durante uma cerimónia oficial, alguém ficasse doido e começasse às cabeçadas ao Presidente da República. Ou se, após receber a bênção, apalpassem o Papa. Um caso a estudar. Interessante…)
Controlei-me. Fixei o olhar na máquina das bebidas a tentar adivinhar qual seria o próximo botão a ser pressionado. Tentava a todo o custo pensar noutra coisa, a ver se acalmava. Porém, estava, inconscientemente, a semear problemas. Não fui suficientemente eficiente ou subtil. O meu olhar esgazeado não tardou a chamar a atenção.
-Estás um bocado com cara de parvo… – comentou a Teresa.
-Acontece-lhe frequentemente, pelos vistos… – realçou a meia-leca.
Foi o fim da picada. O emplastro, agora, também mandava bocas?
Quando me preparava para descarregar um chorrilho de insultos aparece uma personagem inesperada. Vinha aos encontrões, a mandar pessoas ao chão. Um ser trôpego com um porte daqueles não passa facilmente despercebido. Sôfrego e suado, pára à minha frente e encosta-se à máquina dos refrigerantes para descansar. Estava a tentar dizer-me algo mas não conseguia. Tentei acalma-lo.
-Xavier senta-te e respira um bocado antes de falar, pá! – aconselhei.
-Não…há…tempo…a perder…
O Xavier aproxima-se da mesa em que estávamos a almoçar, pega no resto da bebida do pigmeu e manda abaixo de golada. Limpa as beiças, arrota. Pede desculpa. Pega no queque da Teresa e enfarda aquilo numa trinca. Limpa as beiças, arrota. Pede desculpa. Levanta-se, dirige-se novamente à máquina de refrigerantes, tira uma lata e abre-a. Interpelo-o:
-Que foi, homem de Deus?
-A Luísa. Vou a Coimbra pedi-la em casamento…
Os meus pensamentos sofreram um solavanco. A minha vida podia estar confusa, mas o Xavier tinha-se passado de vez. Já não o via há algumas semanas. Talvez andasse em raves a meter ácidos e lhe estivesse a dar uma coisinha má. A alucinar. Ou então estava sob influência voodoo. De qualquer forma, como sempre, tentei saber de que forma podia ofertar os meus préstimos.
Perguntei-lhe: -E o que é que eu posso fazer por ti, rapaz?
Ainda sem ter recuperado completamente, tentou ser o mais claro possível:
-Preciso da tua companhia. Não posso fazer nenhuma asneira pelo caminho. É demasiado importante. Além disso, é sempre bom ter um comparsa para ajudar nos tempos difíceis, não é?
Um turbilhão de sensações trespassou-me. Tinha mil coisas para fazer, uma namorada com quem discutir, uma amostra grátis para insultar, meio mundo para mandar às urtigas. Estava numa encruzilhada. Por um lado, tinha a minha vidinha a precisar de umas afinações. Ia ser preciso tempo e paciência para resolver os assuntos, mas, no final, penso que ia conseguir resultados positivos. Por outro lado, podia embarcar numa daquelas aventuras tresloucadas com um dos tipos mais chalados que conheço, sem saber como ou porquê, pondo em prática um plano infalível porque inexistente.
Subitamente, provém, por trás de mim, um calor intenso. Volto-me. A Teresa está praticamente a deitar fumo. Dirige-se-me, em surdina, a ranger os dentes:
-Não estás a pensar em ir embora com este idiota, pois não, Jacinto Novais?
Voltei-me na direcção do Xavier. O rapaz estava com uma expressão que era um misto de esperança e aflição. Tinha de decidir rapidamente. Resolvi seguir o meu instinto. Era tralha que já não dava uso há algum tempo. A minha resposta acabou por ser a mais indicada, vinda de uma mente equilibrada e racional:
-Oupa!
domingo, maio 25, 2008
Da Mediocridade
No Que Treta!
Como preferimos fazer o que fazemos melhor, os profissionais tendem a ser pessoas com capacidades inatas acima da média para desempenhar a sua profissão. Mas porque o excepcional é raro a diferença, em média, é pequena. Em média os taxistas não são condutores exímios, os professores não são extraordinariamente cultos e os contabilistas não são génios do cálculo. A diversidade dentro de cada grupo é maior que a diferença média aos outros grupos e, por isso, muitos “amadores” superam muitos profissionais. Até em profissões especializadas é fácil reconhecer que a diferença está principalmente na formação e que o dom pessoal é irrelevante, salvo raras excepções. A média é medíocre por definição.
Mas os meios de comunicação de massas apresentam músicos, jornalistas, escritores e realizadores como imunes a esta lei da probabilidade. Nestas profissões o excepcional é a norma e todos estão acima da média. Impossível, é certo, mas esta indústria vende fantasias e controlava quem dizia o quê e a quem. Foi-lhe fácil criar o mito do Autor. Este ser fantástico supostamente cria do nada coisas tão extraordinárias que merecem legislação especial para que a industria as possa vender enquanto contina com elas em sua posse.
E a ilusão era boa. Ninguém pagaria aulas de Francês se lhe proibissem de falar em público, mas a ideia que quem compra um CD com uma sequência de números está proibido de fazer contas com esses números e dar o resultado a outros não levantou protestos. A ausência de um manguito colectivo imediato testemunha a perfeição da ilusão. Muitos até acreditaram que era por serem bens intelectuais que estas coisas tinham que ser “protegidas”. Nem os anos de escola a aprender línguas e ciência nem a cultura que os rodeava fez duvidar que a produção intelectual humana carecesse de “protecção” jurídica.
Mas a ilusão era frágil. Só controlando a comunicação se podia esconder que autor é uma profissão como outra qualquer, com uma pitada de excepcional numa massa inevitavelmente medíocre. Não no sentido pejorativo mas no verdadeiro sentido da palavra. Faz volume sem ser bom nem mau*. Mas conforme o acesso se vai abrindo torna-se evidente que a maioria dos profissionais pagos para criar não são mais dotados que muitos amadores que criam porque lhes apetece.
A Web não tornou a cultura medíocre. A Web mostrou que sempre foi medíocre a maior parte da treta que nos vendiam como cultura.
quinta-feira, maio 08, 2008
On The Road
«Beat. Um termo que diz muito a poucos e pouco a muitos. No seio da geração Beat, precursora do movimento hippie, jaz(z?) Jack Kerouac. «Pela Estrada Fora», a obra-prima do autor, reflecte sobre aquilo que todos os jovens querem realmente fazer com as suas vidas.
Sal Paradise, nome que Kerouac assume enquanto narrador, inicia o período da sua vida «pela estrada fora» quando conhece Dean Moriarty e o apresenta ao seu amigo Carlo Marx. Assim se inicia a primeira de uma série de viagens pela América dos anos 40. Dean é mais de metade da loucura do enredo. Ex-presidiário, aficionado por automóveis, dá uma cor especial à trama, com o seu estilo absolutamente «nas tintas» e a sua loucura galopante. Loucura será, talvez, a palavra mais repetida do livro. Um ser necessitado, que busca «Aquilo», o que quer que «Aquilo» seja. Comboio, autocarro, à boleia, em carro próprio, partilhado ou roubado, tudo é um meio para atingi-LO. Porque eles têm a «intuição do tempo», e isso é tudo o que importa.
A necessidade de partir está sempre presente. É, aliás, desta forma, que Kerouac estrutura o romance, dividindo-o de acordo com as viagens que o levam até à América profunda. A escrita é impetuosa e agressiva, o tom é gravemente delirante, o que não é de estranhar quando o livro se baseia num manuscrito que foi redigido em três semanas, segundo reza a lenda. É-nos servido um «Novo Oeste» mitológico, ainda cheirando a velho: Hipsters, Okies, Beatnicks, vagabundos, putas e paneleiros; há simplesmente demasiadas personagens para uma vida inteira, quanto mais para uma obra só.
Com participações especiais de Deus, na figura de três ou quatro músicos de Bebop, um estilo de Jazz muito em voga nessa época, ou da miúda mais bonita de sempre e arredores (denominação que atribuíam a cada uma que parecia ser do seu especial agrado), Kerouac apresenta-nos a primeira e derradeira história estilo roadtrip. Uma fornada de gente saída dos horrores da Segunda Grande Guerra, ávida de viver. Uma juventude (tardia?) que nunca quer deixar de o ser, lutando para não morrer de tédio.
É interessante encontrar as diferenças (enormes) entre a época em que decorre a história e a actualidade, parecendo impossível estar a falar-se da mesma América e do mesmo século XX. A pintura idílica do aventureiro imprevisível, descrição exímia de quem pretende tudo e não possui nada. Transcrevo, apenas, uma breve passagem que descreve toda a alma da obra: «Sal, temos de ir sem nunca parar até lá chegarmos. – Chegarmos onde, pá? – Não sei, mas temos de ir.» E assim foram. Pela estrada fora.»
Na 8º Edição do ComUM impresso (página 13).

O divórcio não deve ser facilitado nem dificultado, "in medius virtus est" como diziam os romanos.Mas o equilibrio e o bom senso são qualidade raras hoje em dia na sociedade...
Não pode haver divórcio à primeira "estalada" mas o sistema também tem que acompanhar o desiderato.Um divórcio deixa sempre muitos problemas sociais, afectivos, economicos, etc. e deve ser apenas um recurso "disponivel" e nunca "facilitado".Designadamente, um divórcio não pode ocorrer em 24 horas nem em 3 meses...
Hoje em dia com a cultura de independência dos jovens (egoismo também) não há cedências e existe o culto de que uma relação tem que ser sempre apimentada (isto é sempre adocicada e apaixonada) e sabe-se que não é assim.Se não houver uma cultura de colaboração, de resistência, de tolerância, de reconhecimento de uma "menor paixão" com o tempo, fica o "caldo entornado".Conclusão: o sistema de justiça deve meter um "pauzinho na engrenagem" como dizia o Zé Mário Branco para que o divórcio não seja a 1ª opção mas a última...
Aqui não concordo com o Manuel Alegre em quem votei, aliás...
Contra-Corrente:
Claro, uma chapada no conjugue é uma coisa normalíssima. Sugiro que só sejam permitidos divórcios a partir do primeiro pontapé na cabeça. Só assim poderemos trazer algum bom senso para este debate.