quarta-feira, novembro 05, 2008

CNN Exit Polls




Vote by Sex and Race
Total
 Obama
 McCain
 Other/No Answer
 
 
White Men (36%)
41%
57%
2%
 
 
White Women(39%)
46%
53%
1%
 
 
Black Men (5%)
95%
5%
N/A
 
 
Black Women (7%)
96%
3%
1%
 
 
Latino Men (4%)
64%
33%
3%
 
 
Latino Women(5%)
68%
30%
2%
 
 
All Other Races(4%)
63%
33%
4%
 



95% dos afro-americanos votaram Obama.

Olé



I'm here to kick ass and chew bubblegum. And I'm all out of gum...



PS: Quando acordar faço um comentário mais lúcido. A esta hora é difícil... e ainda tenho de acabar um trabalho.

A frase do ano

Fidel Castro acerca de John McCain:

O que abunda em McCain são os anos”, ironizou, acrescentando que a sua candidata a vice-presidente, Sarah Pallin “não sabe nada de nada”.

Fidel Castro, como todos sabemos, é um jovem imberbe.

terça-feira, novembro 04, 2008

Porque é que não tenho um especial gosto por futebol

1º Nunca fui muito incentivado a gostar. Este ponto é basilar.

2º O futebol português é sofrível. É difícil encontrar um jogo que seja minimamente interessante. Só o tempo que se perde quando param a bola, seja por falta, seja por sair fora da área de jogo, dá para dormir a sesta. A quantidade de passes/remates falhados tira a paciência a um santo.

3º O espírito futebolístico é algo de absolutamente incompreensível. A maioria das pessoas age de forma civilizada até ao momento em que entram clubismos ao barulho. A partir daí, agem como se tivessem sido transformados no Conan, o Bárbaro. Isto pode, perfeitamente, servir de exemplo.

PS: Se me lembrar de mais algumas coisas, acrescento.

PS2: Isto é, simultaneamente, um protesto contra a quantidade absurda de conversas e posts que se dedicam ao tema, neste país.

sábado, novembro 01, 2008

Entretanto

Corações partidos, almas chorosas e sonhos sorridentes fazem-se caros.
Eu não.
Escrevo-te em papel rasca com tinta barata. Aliás, a esferográfica nem sequer é minha: fanei-a.
Em tempo de crise, escrever é um bom investimento. As palavras ficam ao preço da chuva com a falta de procura.

Aprendi uma palavra nova, hoje. Escalfeta.
Diz que é para aquecer os pés. Tê-los quentes é particularmente agradável, no Inverno. Não concebo em que contexto poderei usar este substantivo. Pés é conversa que não me passa muito pela boca. Alguns têm-nos nas nuvens.

Tenho andado mundano, a pé. É quanto poupo.

Ao darmos os primeiros passos, sem ajuda, inscrevemo-nos, automaticamente, na lista dos preguiçosos crónicos. Há lá desculpa para ficar parado?

Tenho pensado muito nisso. Nem tenho feito a barba. Nenhum homem pode ser excelso sem barba. Esfrega-la ajuda o raciocínio. Tenho-a rala, visto que ando a fazer mira rente ao chão.

Tiro aos patos é para caçadores. Sou um bicho do mar.

E tenho letra feia. Disseram-me que tinha de melhora-la. Homologa-la. Taxa-la. Definir quotas, como fizeram às importações chinesas. Não ligo puto.

Afinal, só quero enriquecer às tuas custas. São palavras baratas que te vão sair caras. Teu perder, meu proveito.

(Este corredor onde me sento mediou o divórcio entre a Senhora das Dores e o Leandro. Curiosamente, só ele é que pára em casa dela. Nunca lá vi mais ninguém. Talvez ande metido com ela. Malditos advogados.)

Continuas a olhar para o tabuleiro. Vá lá. Não há grande ciência nisso. Já devias ter comido o peão há coisa de três semanas. Enquanto pensas, ando de mala às costas. A pé, de comboio... pouco importa.

Arranjo palavras a preços módicos, comprando-as por atacado.
Espero.
Os amores ficam para trás, nas estações. Mudos.
Sigo na carruagem que fugir mais cedo.
E sorrio.
A vantagem técnica da vida não andar às arrecuas.




Porto, 31 de Outubro de 2008



quinta-feira, outubro 30, 2008

Curiosidades

Antes de mais, queria aqui anunciar que o pessoal responsável pela organização da Recepção ao Caloiro, em Coimbra, é uma cambada de chulos! Já está.

Há uma dúvida que me atormenta há alguns anos. O pessoal, durante aquele período em se andou a dizer que Bolonha era uma porcaria, acusava o Ensino Superior português de ser elitista. Ora, não acho que seja verdade.

Atentem nisto:


Nome: CC = A UM CURSO DE MERDA
Título: NAO VALEIS UM CARALHO
Texto: FILHOS DA PUTA DE GAYS:::::::


Nome: O COMUM È JORNAL DE MERDA FEIT
Título: CC= È UM CURSO QUE NAO VELE UM CARALHO
Texto: So sabeis criticar putas... andais a apanhar no pito.....

Não sei o que é que consideram elites, mas já ando à procura delas há bastante tempo. Se calhar estou a precisar de óculos...

segunda-feira, outubro 27, 2008

Ui...

Só agora é que me apercebi do quão desastroso vai ser o Guimarães - Capital Europeia da Cultura 2012. O orçamento é incrivelmente reduzido e a dimensão de Guimarães comparativamente com algumas das cidades que partilharam, ou vão partilhar, o título é estrondoso. A menos que desatem a construir coisas a torto e a direito, não estou a ver como é que vamos conseguir cumprir as expectativas.

Só para ficarem com uma ideia:

quarta-feira, outubro 22, 2008

Deseducação II

Encontrei um texto interessante sobre o meio em que os "nerds" se desenvolvem no Ensino Secundário. O autor descreve a realidade liceal Norte-Americana, porém, parece-me que há certos paralelismos com o ensino português, principalmente na parte em que o autor refere a quantidade de coisas inutéis ou mal ensinadas nas escolas. Para quem tiver paciência, fica aqui o link.


sexta-feira, outubro 17, 2008

Reabertura

O ComUM reabriu com nova (quase) gerência. É passar lá para incentivar a malta jovem. Extremamente Recomendado.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Prá Frentex

Estes políticos estão a ficar muito modernaços. O embaixador britânico em Portugal, Alex Ellis, tem um blog todo castiço. Dava-nos jeito uns políticos destes, por cá. Mais pessoas e menos Senhores Doutores.

Mais um jerico no estábulo

Ao fim de uma porrada de anos, consegui ter o meu nome inscrito no blogue da Instituição Marzápia. Muitas parvoíces se seguirão. A marzapização não será televisionada.

quarta-feira, outubro 15, 2008

A «Direita» Esquizofrénica

O Estado Novo deixou um legado em Portugal: as ideologias políticas estão todas trocadas. Os casos mais comuns são aqueles que se dizem de Direita e são de Esquerda e os que se dizem Liberais e são Conservadores. A título de exemplo, causas fracturantes (liberalização das drogas, aborto, casamento homossexual, etc) são atribuídas à Esquerda, o que é errado. Pessoalmente, acho as definições do Political Compass bastante acertadas. É necessário substituir o binómio Esquerda-Direita pelo modelo de dois eixos que acrescenta o vertical «Liberal-Conservador». Isto acabaria com muitas ideias-feitas que circulam erradamente pelo senso-comum.

Na passada segunda-feira, deparei-me com um texto propagandístico exposto num cartaz. Como não consegui leva-lo para casa, consultei, posteriormente, um texto semelhante no site desse partido. Tentem adivinhar que partido é:

Há quem ande a fazer da nossa Pátria, uma república das bananas; um paraíso para milionários sem escrúpulos. Esses, acham-se no direito de saquear o herário público em proveito próprio. São eles, os mesmos que anunciam a falência da Segurança Social, que falam amíude em crise, que exigem sacrifícios aos portugueses...
São eles que, através das suas políticas suicídas e criminosas, privam a Pátria da posse e fruição dos seus recursos naturais. São eles que entregam de bandeja os centros de decisão. São eles que alienam os sectores estratégicos da actividade da Nação...
A eles, tanto se lhes dá o dia de amanhã, desde que no dia de hoje possam encher os seus bolsos e as suas contas bancárias!
Eles exigem sacrifícios ao seu povo – o qual dizem defender e representar – mas o que lhes importa é garantir a própria barriga cheia, a mesa farta e as mordomias todas!
Eles são completamente indiferentes e insensíveis ao futuro de Portugal e do seu povo, pois estão demasiado cheios dos seus interesses egoístas. E os exemplos de desigualdade multiplicam-se! O fosso entre ricos e pobres é uma afronta!
Agora, recentemente, para aumentar o justo sentimento de indignação e de injustiça - diante de um cenário de tantos sacrifícios exigidos ao nosso povo, de tanto desemprego, de tantas falências, de tantos ordenados ofensivos à dignidade do ser humano e à dignidade das famílias - os nossos governantes não hesitam em anunciar que se vão pagar de 4 mil a 11 mil contos – cosoante os casos – a cada um dos 84 ex-deputados da anterior legislatura, através de um “Subsídio de «Reintegração»”...
E porquê?! Será esta, uma “justa gratificação” pelo rico serviço que prestaram à Nação? Coitados dos srs. ex-deputados, que para além do “modesto” vencimento que auferiram enquanto parlamentares, precisam agora de mais esta “ajuda” para compensar as “imensas dificuldades” que terão que suportar durante os escassos dias em que não têm novo emprego de “modesto” salário.
Senhores governantes, senhores deputados e ex-deputados: a lata tem limites!
Não haverá por acaso objectivos mais úteis e justos para esse dinheiro que é de todos nós?
As referências «Pátria» e «Nação» denunciam o Partido Nacional Renovador. E, tal como suspeitava, o PNR, com uma conversa destas, é um partido de Esquerda...

Aberração III

Mais sobre a disciplina de voto:

A disciplina de voto acentua discrepâncias entre partidos, entre esquerda e direita. Intensifica o corporativismo, esmaga o pluralismo, desfavorece o debate de ideias dentro dos partidos. Paralisa as linhas políticas dos partidos, fortalece as ideologias e repele da actividade política quem não se reveja integralmente nas lideranças partidárias do momento. A disciplina de voto induz a homogeneidade cultural, esmaga os desvios e afasta os partidos de quem deveriam representar. Os deputados portugueses têm dois patrões: o povo e os respectivos líderes partidários. Mas não é ao povo que têm de agradecer e agradar por estarem e para se manterem na posição em que estão.

Rui Passos Rocha via Webnotícias.


domingo, outubro 12, 2008

Assim a despropósito...



...o pessoal não se esqueceu que um casal de lésbicas pode ter filhos, certo?

quinta-feira, outubro 09, 2008

Pérolas

No jornal Académico da Universidade do Minho nº82, o novo Papa da academia minhota sai-se com este comentário:
Devido ao processo de Bolonha (...)poderia haver cardeais com 4 matrículas, e o cabido achou que essa situação não seria a mais adequada, pois é muito cedo para ter maturidade suficiente para poder praxar sem traje e estar no topo da hierarquia.(...)só será cardeal à quinta matricula e tem que ter pelo menos um chumbo. Os chumbos são para que as pessoas tenham alguma sensibilidade, quem reprova ganha outra maturidade. O cardeal é aquele que vai aprender com os erros ao longo do ano. Sairá tão bem ou mais preparado que aquele que concluir o seu curso sem reprovar.

Acho que é este o caminho pelo qual Portugal deve enveredar. Devemos gastar o dinheiro dos contribuintes de forma a que os estudantes andem no Ensino Superior a "ganhar maturidade". Promover o mérito é desnecessário visto os alunos portugueses são como o vinho: com o passar dos anos vão ficando melhores, mesmo que estejam parados.

Mais à frente temos um artigo sobre grupos culturais:

Para Diogo Carvalho, membro da Azeituna (Tuna de Ciências), os novos moldes de avaliação trazidos pelo processo de Bolonha têm uma quota parte de responsabilidades no distanciamento dos estudantes. Segundo este responsável, a principal preocupação do momento é "concluir a licenciatura", que em muitos casos foi encurtada para três anos.

Com que então eles vêm para a universidade para concluir a licenciatura?! Malandros!

segunda-feira, outubro 06, 2008

A Silly Season ainda não acabou

Uma jornalista da TVI usou agora mesmo a expressão: «...o que fazem os portugueses perante um aumento evidente da violência?».

Lembro-me de, há uns anos atrás, ter ocorrido, evidentemente, um arrastão.

Jornalismo de sarjeta soma e segue.

"One «question» to rule them all (...) and in the darkness bind them."

Infelizmente, não pude comparecer no comício do PS, a 20 de Setembro, porque estava em aulas. Porém, gostaria de colocar esta questão, se tal fosse possível:

«Sr. Eng. José Sócrates, como pensa governar o país, sem maioria absoluta, entre 2009 e 2013?»

Acho que o mundo acabava no instante seguinte.

domingo, outubro 05, 2008

Aberração II

Ainda sobre a disciplina de voto:

A mudança prometida pelo Partido Socialista tido como progressista entrou no anacronismo. Problemas de embraigem provavelmente. Descobriu-se que os deputados funcionam como meros moços de recado, no levanta-te e aplaude (quem se ri somos nós - para não chorar mesmo) do circo da Assembleia, mais circo agora que nunca. Mas no fundo tenho pena, não pelos diplomas do BE e PEV estarem em vias de rejeição mas, pelo dinheiro dos contribuintes desperdiçado em tanta carne e assento.

De verdade, poupavam-se alguns milhares (talvez milhões) se o Parlamento se reduzisse a 23 lugares em vez dos 230. Contas feitas, ficava a discussão destribuída por Alberto Martins e mais 11 (para vincar a maioria absoluta!), Rangel mais 6, Louçã, Portas, Carvalhas Jerónimo e talvez um do PEV... E para tal trabalho, nem uma Assembleia se calhar era precisa, porque depois, na prática, por muito que falassem e esperneassem os deputados da parte rosa do centrão, na hora da votação tornariam o laicismo e o progressismo socialista num "faça-se em nós a sua vontade, Senhor Primeiro-Ministro".

Nisto faço o elogio do Congresso Americano, onde por muito ligados estejam os representantes a um veio ideológico comum, fazem-se por mais leais a si próprios e às pessoas que representam, porque dependem delas e não dos desígnios de uma Sede Nacional e da sua máquina de propaganda central. Nunca como nestes dias se tornou mais urgente a implementação de ciclos uninominais como forma de garantir que os deputados prestem contas aos seus eleitores ao invés de uma Comissão Política Nacional.
Vítor Pimenta via Avenida Central.

terça-feira, setembro 30, 2008

Aberração

Os comentadores políticos da praça estão aparvalhados. Diz que não há disciplina de voto nos «States». Diz que lá os representantes podem votar no que lhes apetecer. Diz que a maioria desrespeitou as directivas da Casa Branca e dos seus representantes partidários. Em terras lusas, tal feito é aberrante. Parece que a democracia (moderna) mais antiga do mundo deu uma lição de moral aos que dela tanto desdenham.

domingo, setembro 21, 2008

Liberalismo Económico II

O Tiago Laranjeiro aconselhou-me um post do Pedro Arroja no Portugal Contemporâneo:

«Na blogosfera, como em muita literatura académica, o liberalismo versus não-liberalismo é discutido em termos de menos Estado ou mais Estado, e é essa fixação na dimensão do Estado que, não apenas me parece irrelevante, como, na realidade não serve os argumentos daqueles que gostariam de se apresentar como liberais.

Porque a realidade é esta. Os países mais desenvolvidos e ricos do mundo são os países escandinavos da Europa, tal como medidos pelo Índice de Desenvolvimento Humano ou pelo PIB per capita. Ora, acontece que estes são também os países do mundo onde o Estado é maior, tal como medido pela percentagem da despesa pública no PIB.»
Há aqui muitos factores que não são tidos em consideração. Os países escandinavos são quase isentos de corrupção. Além disso, o nível de educação e o escrutínio popular das instituições públicas é mais elevado. Também o ranking de liberdade educativa é liderado por esses países. Também os impostos sobre as empresas são moderados em comparação à quantidade e qualidade de serviços prestados pelo Estado. Todos os países escandinavos têm menos população que Portugal, tornando-os mais fáceis de gerir. Alguns até têm petróleo.

Não sou fundamentalista sobre a dimensão do Estado. Na minha opinião, qualquer medida política deve ser ponderada tendo em conta contexto em que se insere. Aumentar o Estado português, que é gordo já de si, seria um erro, principalmente com classe política que temos. Ninguém quer ter uma enfermeira descuidada a dar vacinas. Por esta lógica, acho má ideia passar-lhe um bisturi para a mão.


quinta-feira, setembro 18, 2008

Liberalismo Económico I

Adam Smith aconselhou os seus contemporâneos a desconfiarem das propostas apresentadas pelos empresários. A razão era simples: existia uma enorme probabilidade de tentarem favorecer a sua posição individual em detrimento do meio colectivo.

Até aqui, tudo bem, visto que esta opinião é bastante consensual na maioria das ideologias políticas. Há um pequeno "senão". A maioria das pessoas julga que um cidadão, ao tornar-se político, é imbuído de um espírito de santidade. Este raciocínio legitima a maioria das posições de Esquerda sobre a centralização e estatitazação do poder decisório económico das sociedades. Porém, é mais complicado de perceber se um político está a legislar/decidir para benefício colectivo ou benefício próprio. Assim, é mais complicado escrutinar a actuação pública do que a privada.

Quando até o Supremo Tribunal é influenciado por posições partidárias, é muito difícil estipular se as entidades reguladoras como o BCE ou a FED estão a agir no melhor interesse dos cidadãos. Cabe-nos interpretar os factos de forma a discernir se as consequências tiveram causa em falta de regulação ou má regulação. Esta é a questão essencial na crise do subprime.

 

terça-feira, setembro 16, 2008

Absolutamente Recomendado

Sobre o casamento:

Giovanna tem uma hepatite incurável. Em Julho foi-lhe induzido o estado de coma para evitar as dores. Mas, antes, Giovanna pediu que a despertassem do coma para poder casar com o companheiro e pai do seu filho.
Aconteceu no passado domingo, em Pádua. O noivo, as testemunhas e o celebrante tiveram de usar máscaras e vestes esterilizadas e a cerimónia realizou-se em plena unidade de Cuidados Intensivos. A noiva estava em sofrimento físico mas feliz. Caiu em coma logo após o ‘sim’. Apesar de não dever recuperar mais a consciência, o seu marido garantiu que a sua vida terminará “num raio de alegria, uma felicidade que nada lhe roubará”.
Não pude deixar de pensar quão pequeninos são aqueles que apregoam que único fim do casamento é a procriação.

Carlos Abreu Amorim via Blasfémias.

PS: Nova etiqueta dedicada ao liberalismo: Águas Livres

sexta-feira, setembro 12, 2008

Precariedade

A discussão sobre a precariedade dos empregos anda por aí à solta. Porém, muitos dos conceitos vão da simples confusão até à asneirada curta e grossa. Vamos por pontos:

1- O que é a precariedade?

As pessoas, habitualmente, consideram precário o emprego que não está vinculado por um contrato duradouro (permanente, se possível), sendo também costume ligar esta designação à mão-de-obra "mal" remunerada.

2- Como funciona o mercado de trabalho?

Num mercado perfeito, a flexibilidade seria infinita. Isto significa total capacidade de deslocação da mão-de-obra ou das empresas de uma região para outra, aceitação de qualquer horário de trabalho e remuneração, entre outros factores. Porém, este cenário, é, não só, impossível, como, também, indesejado. Nada justifica a escravidão dos trabalhadores.
De tal forma, o sistema que existe é um meio caminho entre a inflexibilidade total e a flexibilidade perfeita. Isto significa que tanto os patrões como os empregados têm de fazer cedências.

Todos os mercados funcionam como "mega-leilões". Esses leilões estabelecem equilíbrios de poder, sendo esse poder atribuindo consoante o valor dos produtos. Se eu for o único perito em informática do planeta, as empresas que precisarem de vão pagar-me fortunas pelos meus serviços, caso eles fossem mesmo necessários (só me iriam pagar até ao ponto em que fosse mais proveitoso utilizar outra tecnologia). Da mesma forma, se todos os trabalhadores fossem peritos informáticos e apenas existisse uma única empresa interessadas nessa especialidade, todos eles iriam baixar os seus salários na esperança de obter um lugar na empresa (apenas até ao ponto em que seria mais proveitoso mudar de ramo). O mercado real é uma combinação entre estas duas realidades, mas com milhares de milhões de elementos.

3- Como surge a precariedade?

A precariedade (recibos verdes e afins) e o desemprego elevado costumam resultar de uma saturação na procura de emprego, relativamente à oferta. No caso português, isso acontece porque a economia não está a crescer a um ritmo saudável. A criação de emprego é ténue. O facto de muitas empresas estarem a falir, devido à reestruturação da economia, não ajuda. A razão porque há mais empresas a falir do que a serem criadas será discutida num post dedicado exclusivamente ao assunto.

4- Porque é que combater os recibos verdes (na actual conjectura económica) é má ideia?

Se estabelecermos 3 patamares de "segurança laboral", do mais seguro para o menos seguro, temos o contrato definitivo, o contrato a prazo/recibos verdes e o desemprego. O patamar "desemprego" pode não ser um tipo de segurança no trabalho, se formos exactos, mas serve para explicação que vou expor de seguida:

A) Muitos Empregos/Flexibilidade Alta: Muitos Definitivos; Alguns Recibos; Desemprego Baixo

B) Poucos Empregos/Flexibilidade Alta: Alguns Definitivos; Muitos Recibos; Desemprego Médio 

C) Muitos Empregos/Flexibilidade Baixa: Muitos Definitivos; Poucos Recibos; Desemprego Médio

D) Poucos Empregos/Flexibilidade Baixa: Poucos Definitivos; Poucos Recibos; Desemprego Alto

O custo de empregar alguém é alto, assim como o risco. Os estágios, por exemplo, são uma forma do empregador e o empregado partilharem os riscos: o primeiro corre o risco de empregar um funcionário mau, enquanto o segundo corre o risco de ficar vinculado a um emprego que não lhe agrada (mau ambiente, má remuneração, falta de organização, sobrecarga de trabalho, etc). É óbvio que uma economia com fraca expansão económica reforça o poder dos patrões, visto que controlam uma percentagem maior da oferta de emprego, ficando os trabalhadores sujeitos a condições negociais menos favoráveis para eles. A imposição de regras para evitar o trabalho precário só vai aumentar o risco de empregar alguém, limitando o número de postos de trabalho disponível. Por outras palavras, o custo não-monetário (as restrições) vai acabar por ser mais prejudicial, a pôr gente no desemprego, do que benéfico, a dar-lhes empregos instáveis. O custo de isto não acontecer é a diminuição da produtividade das empresas ou a queda dos salários.

Por algum motivo, muitos dos países desenvolvidos começam a adoptar modelos de flexi-segurança. Curiosamente, os países nórdicos lideram a tabela dos países com maiores liberdades económicas, enquanto Portugal fica-se pelo 53º lugar. Basta dar um saltinho à página dos detalhes, mais concretamente ao peso do governo e a flexibilidade do trabalho, para perceber porque pontuamos tão baixo.

Qualquer dúvida, caixa de comentários.

PS: estreio, com este post, a etiqueta Rota das Especiarias, para assuntos económicos.

«Me is heading West Side» II

«Caro Hugo

Já tivemos uma desistência pelo que o 1º candidato na lista de suplentes já tem vaga. O Hugo vai receber nos próximos dias uma carta a confirmar esta situação.

Bem vindo ao MCMM

Cumps

Pedro Almeida [Director do Mestrado em Comunicação Multimédia na Universidade de Aveiro]»

A minha (boa) sorte do costume.
Cambada, lá vou eu a fazer as malas e partir para uma nova cidade.
Mais uma moedinha, mais uma voltinha.

quinta-feira, setembro 11, 2008

3-2

No telejornal falou-se que Carlos Queirós tinha alguma responsabilidade na derrota da Selecção Nacional de Futebol frente à Dinamarca. Há uns mesitos uma situação semelhante tinha garantido ao seleccionador nacional insultos de "besta" para cima. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Deseducação Portuguesa I

Fui confrontado com uma notícia aterradora. 

Criminalidade violenta?

Não. Pior.

Pior?! Raptaram uma criança inglesa na praia da luz?!

Também não é preciso exagerar...

Portugal tinha 9% de analfabetos em 2001. Estamos a falar de aproximadamente 900 mil pessoas que não sabem ler/escrever. Estamos a falar do século XXI. Estamos a falar de um país da União Europeia.
Claro que podemos todos agradecer ao Dr. Oliveira & Companhia por este fabuloso legado.
Curiosamente, somos dos países que mais investem em educação, em percentagem do PIB.
É interessante analisar toda a estrutura da nossa «deseducação» para compreender uma das principais razões pelas quais «isto não anda para a frente»:  um terço com o ensino básico, 15% (desses 33%) completaram o ensino secundário e 8,6% (desses 15%, obviamente) com formação superior.
Tendo isto tudo em conta, é de uma extrema importância começar a pensar se mais umas toneladas de alcatrão para fazer autoestradas é algo absolutamente necessário.
O desenvolvimento e a educação andam de mãos dadas. Porém, não é com «paixão» que lá vamos. Só com muita ponderação e, sobretudo, duras reformas, é que a Educação portuguesa avança. Esse salto só pode ser efectuado com a ajuda de todos, professores, pais e alunos.
Irei dedicar alguns post a assuntos como o cheque-ensino e a autonomia escolar, tentando compilar algum conhecimento útil sobre o assunto. Para que, em 2011, a vergonha nos censos não se repita. E só falta um ano para as legislativas e três para 2011... Como diria António Guterres: é fazer as contas.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Outra achega sobre a «vaga de criminalidade»

Outro artigo sobre a mediatização da criminalidade. Recomendo fortemente a leitura do texto completo.
«(...)Para combater este flagelo [crime violento] tem havido grandes operações policiais com centenas de polícias e grande aparato. Com bons resultados. Não pela soqueira e pistola de alarme que apreenderam mas porque apanharam dezenas de condutores bêbados. Se querem aumentar a segurança a primeira coisa é mesmo tirar os bêbados da estada. Em 2000, por exemplo, morreram em Portugal 1357 pessoas por acidentes rodoviários, 525 por suicídio e 97 por homicídio (3).

Salpicaram pelas reportagens algumas especulações acerca do que teria causado a vaga de crimes violentos mas não mencionaram as duas mais óbvias. A falta de qualidade do jornalismo e a apetência do público pelo alarmismo infundado. O candidato deles foi a reforma do Código de Processo Penal porque agora não há prisão preventiva para alguns crimes onde se aplicava antes. Parece-me pouco realista. Bute lá assaltar o Pizza Hut? Bute, que só vamos presos depois do julgamento.(...)»


Ludwig Krippahl via Que Treta!

sábado, agosto 30, 2008

Encerramento dos Jogos Olímpicos

Política à parte, tanto a cerimónia de abertura como a de encerramento dos jogos olímpicos surpreenderam-me. Os britânicos estão com um enorme peso nos ombros, tendo em conta que cabe-lhes a tarefa de superar o feito dos chineses. Deixo-lhes um pequeno conselho: esqueçam as coreografias de massas. Os chineses fizeram o melhor possível nessa área, tornando-se praticamente insuperáveis. Arrisco-me a dizer que estes foram os últimos Jogos Olímpicos da velha guarda. Daqui para a frente, é inovação ou fracasso. A apresentação dos ingleses não me desiludiu, muito pelo contrário. Até veio reforçar esta minha ideia.

Acostumado ao tradicionalismo inglês, fiquei boquiaberto quando Jimmy Page sobe ao palco, de guitarra em punho, para acompanhar a Leona Lewis num cover da Whole Lotta Love dos Led Zeppelin. Apenas digo que a «machidão» atingiu níveis estratosféricos, eclipsando por os cantores chineses, que haviam actuado momentos antes. Em boa verdade ninguém percebia patavina do que dizia. Aqui fica a actuação (para ver o vídeo (imagens e som) é preciso fazer download no endereço indicado):





sexta-feira, agosto 29, 2008

Uma achega sobre a «vaga de criminalidade»



«Como mostra o gráfico, a criminalidade violenta diminuiu em 2007 cerca de 10%. Os dados para o primeiro semestre de 2008 dão um aumento de 10%, o que anula a diminuição de 2007. A ciminalidade de 2008 está aos níveis de 2006. A suposta onda de criminalidade afinal era o estado habitual do país em 2006. Alguém se lembra desses tempos terríveis?»

João Miranda via Blasfémias

segunda-feira, agosto 25, 2008

Agora é que a porca torce o rabo

«Socialismo significa justiça social e igualdade, mas igualdade de direitos, de oportunidades, não de rendimentos»

-Raul Castro, presidente de Cuba, preparando os cubanos para uma redução geral dos subsídios governamentais; in Time.

Pois. Era o que me tinha parecido.

Para quem acha que a arte contemporânea é toda uma seca

O trabalho de artes plásticas mais impressionante que vi na vida:



O sítio oficial e o blog do pintor Blu.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Barbaridades a preços módicos

Os inquéritos de Verão são uma secção essencial nas revistas e jornais. O conhecimento adquirido nessas páginas é indispensável para perceber as mentalidades do nosso país.
Depois de descobrir que Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, considera Álvaro Cunhal, o tipo que apoiou a invasão da antiga Checoslováquia pela União Soviética, durante a Primavera de Praga(um exemplo chega), o seu político preferido, fico a saber que Ana Mendes, vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS, é Federalista. À pergunta «Era capaz de anexar Portugal? A que país?», respondeu «Sou federalista. Anexava os países da União Europeia uns aos outros, numa nova entidade política supranacional». Isto pode parecer algo simples, mas não é.

Cara Ana, a tua posição é um pouco difícil de compreender. Normalmente, as pessoas assumem uma posição porque, na sua perspectiva, é o melhor a fazer. Porém, não consigo encaixar a ideia que, se Portugal fosse governado por uma elite política, a partir Bruxelas, estaríamos melhor. Num período em que se discute a importância da regionalização, devido ao umbiguismo dos nossos dirigentes em relação a Lisboa, parece-te uma boa ideia mudar o centro decisório uns 2000km para Nordeste? Perder a autonomia diplomática iria beneficiar-nos no comércio com os PALOP's? Ser um Estado como a Califórnia ou o Texas seria uma melhoria? Ou simplesmente não sabes do que estás a falar? Talvez os tachos na Europa sejam melhor remunerados do que cá? Principalmente para dizer palermice. É isso? Assim já nos entendemos.

Veto no Divórcio

Caixa de comentários no Avenida Central:

contra-corrente disse...

O divórcio não deve ser facilitado nem dificultado, "in medius virtus est" como diziam os romanos.Mas o equilibrio e o bom senso são qualidade raras hoje em dia na sociedade...
Não pode haver divórcio à primeira "estalada" mas o sistema também tem que acompanhar o desiderato.Um divórcio deixa sempre muitos problemas sociais, afectivos, economicos, etc. e deve ser apenas um recurso "disponivel" e nunca "facilitado".Designadamente, um divórcio não pode ocorrer em 24 horas nem em 3 meses...
Hoje em dia com a cultura de independência dos jovens (egoismo também) não há cedências e existe o culto de que uma relação tem que ser sempre apimentada (isto é sempre adocicada e apaixonada) e sabe-se que não é assim.Se não houver uma cultura de colaboração, de resistência, de tolerância, de reconhecimento de uma "menor paixão" com o tempo, fica o "caldo entornado".Conclusão: o sistema de justiça deve meter um "pauzinho na engrenagem" como dizia o Zé Mário Branco para que o divórcio não seja a 1ª opção mas a última...
Aqui não concordo com o Manuel Alegre em quem votei, aliás...

Hugo Monteiro disse...

Contra-Corrente:

Claro, uma chapada no conjugue é uma coisa normalíssima. Sugiro que só sejam permitidos divórcios a partir do primeiro pontapé na cabeça. Só assim poderemos trazer algum bom senso para este debate.



sábado, agosto 16, 2008

«Me is heading West Side»

Está formalizada a minha candidatura ao Mestrado em Comunicação Multimédia na Universidade de Aveiro. O director já me deu garantias de que não vai haver alterações ao plano curricular, a meio do curso, nos próximos anos. Mais vale prevenir do que remediar...

terça-feira, agosto 12, 2008

Os «Pseudós»

Depois de assistir a um concerto dos Rage Against the Machine, juntamente com milhares de «anarcas de Cascais», e de ter estado cinco dias em Paredes de Coura, rodeado de revolucionários da treta, começo a nutrir um certo fascínio pelos portadores de t-shirts do Che Guevara. Encontrei um post muito interessante no Blasfémias sobre o assunto:

All Together Now

Também dei de caras, nos comentários do post supramencionado, com um documentário, em castelhano, sobre o mito de Che Guevara:


E, para finalizar o bolo, um pequeno texto, em que Che louva a Coreia do Norte, liderada por Kim Il-Sung:

“De los países socialistas que visitamos personalmente, Corea es uno de los más extraordinarios. Quizás es el que nos ha impresionara más de todos ellos. Hoy tiene una literatura y una cultura nacionales, y un orden nacional, y un desarrollo ilimitado, prácticamente, de la cultura. Tiene enseñanza secundaria, que allá es hasta el noveno grado, obligatorio para todo el mundo. Tienen en toda la industria el problema que ojalá nosotros tuviéramos hoy –que tendremos dentro de 2 o 3 años–, que es el problema de la falta de mano de obra.

Corea está mecanizando aceleradamente toda la agricultura para lograr mano de obra para poder realizar sus planes, y también se está preparando para llevar a los hermanos de Corea del Sur el producto de fábricas de tejidos y otras, para ayudarlos a sobrellevar el peso de la dominación colonial norteamericana.

Es, realmente, el ejemplo de un país que gracias a un sistema y a dirigentes extraordinarios, como es el mariscal Kim Il Sum, ha podido salir de las desgracias más grandes para ser hoy un país industrializado. Corea del Norte podía ser para cualquiera aquí en Cuba, el símbolo de uno de los tantos países atrasados del Asia. Sin embargo, nosotros le vendemos un azúcar semielaborado como es el azúcar crudo, y otros productos aún sin elaborar, como es el henequén, y ellos nos venden tornos prensadores, toda clase de maquinaria, maquinaria de minas, es decir, de productos en que ya se necesita una alta capacidad técnica para producir. Por eso es uno de los países que nos entusiasma más.”


Há coisas fantásticas, não há?

sábado, agosto 09, 2008

Jornais e Gelados

Vale a pena comprar jornais no Verão. Praticamente todos os dias são distribuídos livros, sem nenhum acréscimo de preço, juntamente com os diários generalistas. Um livro de poemas e a "Voz do Subterrâneo" de Fiódor Dostoiévsky já cá cantam (apesar de eu achar que se chama Cadernos do Subterrâneo, mas enfim...). "A Arte da Guerra" sai um dia destes com o DN. O Diário de Notícias, apesar de ter bons cronistas, tem uma paginação, na minha opinião, bastante desagradável. E não gastem dinheiro no JN: praticamente todos os cafés têm um.

sexta-feira, julho 25, 2008

Como é que isto me foi acontecer?!

Hum... Como é que vou explicar isto sem fazer uma figura embaraçosa? Até porque juro que não estava a contar, nem fiz nada que justificasse tal coisa... É desconfortável aceitar isto. Nada me pode ilibar da culpa. E, pelo andar da carruagem, vou ter de lidar com isto para o resto da vida. Será que vou aguentar? Será que vão olhar para mim de lado? Só vendo... Bem, cá vai a bomba: estou licenciado :-P

terça-feira, julho 08, 2008

Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde 2008

A jORGE Produções volta a atacar. Desta vez, as vítimas foram os espectadores indefesos que se dirigiram ao auditório do 16º Festival de Curtas Metragens de Vila do Conde. O trabalho não ficou exactamente aquilo que esperávamos. Porém, a qualidade ficou assegurada e estou bastante satisfeito com o trabalho de edição que realizei a quatro mãos com um velho amigo. O esforço compensa. Eis o resultado:




sexta-feira, junho 27, 2008

O tipo que está sempre a mudar de blogues

O Hugo Freitas fez outro blogue. Chama-se Atarium e é sobre videojogos. De salientar o trabalho que ele e a Patrícia desenvolveram para a cadeira de Audiovisuais/Multimédia. Está disponível no site Gametrailers. Vale a pena ver.

quinta-feira, junho 26, 2008

Este gajo é o Maior!


John Stuart Mill 1806-1873



«I never meant to say that the Conservatives are generally stupid. I meant to say that stupid people are generally Conservative. I believe that is so obviously and universally admitted a principle that I hardly think any gentleman will deny it.»

Letter to the Conservative MP, Sir John Pakington (March 1866)

quarta-feira, junho 25, 2008

Quartas-Feiras VI


Por motivo que desconheço, a quarta-feira é o meu dia preferido da semana.
No meio de tudo, como a vida.

sábado, junho 21, 2008

Porque no te callas?

Recentemente, numa excursão televisiva, deparo-me com o Mário Soares a entrevistar o Hugo Chávez na RTP. Ficamos à espera do ilustre democrata com que nos irá presentear no próximo programa. Fidel ou Putin? Vamos a apostas?

sábado, junho 14, 2008

Daydream Festival

Eh pá... Nem sei o que dizer...

segunda-feira, junho 02, 2008

Recarga

Para quem ainda se lembra desta experiência, isto vai parecer um bocado mais do mesmo. Porém, é quase notório que levou uma boa lavagem. Mais de um ano depois de ter publicado aquilo, resolvi participar neste concurso da Velha-a-Branca. Aqui fica o resultado final, com cerca de mais 3.000 caracteres que o seu protótipo:

Mais um dia

Um dia aparentemente chato, quente e parvo, aborrecido como muitos outros. Um verão em Braga não é pêra doce. Um verão em Braga a ter aulas muito menos. Um barulho insuportável na cantina. Um dia parvo, uma multidão parva, uma vida parva. Um reino da parvoíce.
Duas pessoas a dispararem banalidades à minha frente. A minha quase eternizada “mais-que-tudo”, queridíssima namorada Teresa, e a sua amiga/mascote de estimação, cujo nome nunca me recordo. Dois seres que são um só. Um sendo uma mera extensão do outro. Talvez um simples acessório.

«But first things first», já diziam os Yankees. É indelicado não me apresentar. Para ser conciso, posso descrever-me como um «cão do mato» reformado que responde pelo nome de Jacinto, Jaz para os amigos. Cão do mato, porque sempre tive um espírito meio vagabundo e selvagem, reformado, porque já me deixei dessas andanças. Com 23 anos já sou um jovem idoso. Ou talvez um jovem preguiçoso. Amolecido? Não importa. Não interessa.

Estudava na Universidade do Minho há cinco anos. Finalista em Direito, aluno exemplar, modéstia à parte, uma característica que tenho como omniausente. (Nunca me dei com gente humilde. Os vaidosos são imbuídos de uma graça quase mística. Só não vê quem é ceguinho.)

Posso dizer que entrei em Braga algo desconfiado. Falaram-me maravilhas desta terra. Sempre fui ateu militante no que às expectativas paradisíacas concerne. Uma espécie de S. Tomé profano, digamos. A princípio a integração deu-se bem. Aquele ano de atraso no secundário tinha-me dado a estaleca extra que faltava a alguns dos meus colegas. Uns não se adaptaram ao ambiente. No ensino superior não se resolvem os problemas com os punhos. É preciso astúcia. Manha. Olho para a coisa. E na arte de observar, eu era o solista naquela ópera. Mas isto são dossiers com contas que não quero pagar agora. Não ando abonado de finanças. Nem de tempo.

As vozes delas provocavam um excesso de fritura nas batatas, com um sabor maravilhoso já de si. Fui tomado de assalto por uma sensação de náusea. Só me apetecia vomitar aquele quotidiano para cima de alguém importante. Só porque podia. Só porque sim. Um daqueles momentos belos em que a nossa existência parece uma piada foleira contada num bar de alterne. Com brilhantina no cabelo e uma vestimenta azeiteira. Numa matiné de domingo. O autor desta história estava notoriamente a gozar comigo. E elas a conversarem sobre as últimas promoções das suas lojas favoritas de pronto-a-vestir. Aquilo que está mais na berlinda. (Será que “berlinda” é a palavra mais na berlinda para expressar “últimas tendências”? Não me parece que se importem com o que penso ou deixo de pensar. Tanto melhor. Se raciocinar em termos parolos não vai haver ninguém que me censure.)

A Teresa continuava a tagarelar incessantemente. A cantina-orquestra actuava à minha volta enquanto a soprano cantava mesmo ao meu lado. Os cabelos castanhos pelos ombros criavam uma parabólica protectora, apenas permitindo ver os seus finos lábios alternadamente entre gesticulações. Movia-se, insinuante, para trás e para a frente na cadeira, ao mesmo tempo que a sua “pochete” acenava afirmativamente a tudo o que a dona dizia. Teresa Salgado, a minha Teresa, mesmo à minha esquerda, com todo o seu à vontade e todo o seu glamour. Em que rifa é que me saiu este prémio?

Vi-me pintado num quadro infeliz da minha autoria. Talvez o resultado tenha surgido de uma inspiração obtida à base de estupefacientes. Um sujeito bastante ébrio costuma desequilibrar-se e cair, mas eu tinha-me aguentado verticalmente até aquele ponto. Havia chegado a hora da ressaca, as dores de cabeça, as tonturas e o juízo. Sentia-me parvo, tal como em todos os dias que sucediam a consumos excessivos de substâncias não recomendadas a menores.

Chegara a altura de ponderar e desesperar, réu perante a minha consciência, qual fantasma do Natal Passado a bater à porta. As escolhas que tinham ditado este beco sem saída pareciam-me longínquas, difusas, como se tivessem sido ponderadas e executadas numa vida passada. Não havia defesa, não haviam provas nem testemunhas, apenas um dedo apontado e um fardo enorme a pesar. Um enorme pesar.

(Quando os sonhos morrem, dormir é um mero intervalo entre adormecer e despertar, um feixe de tempo insignificante. É assim que se fica submetido à execução de tarefas e actividades corriqueiras e monótonas. É assim que só se vive de dia, como uma engrenagem.)

Levantei-me e fui em direcção à casa de banho sem dar satisfações.

-Onde vais, Jacinto? – foram as palavras que não quis ouvir a Teresa pronunciar.

Acotovelei as pessoas que estavam na fila à espera de um “almoço mistério”. As ementas, não raras vezes, estão erradas e trazem surpresas desagradáveis…

Entrei na casa de banho e passei a cara por água, a ver se arrefecia os motores já quentes, de tanto matutar. Ali, sozinho, sentia-me muito mais calmo, o barulho era menor e conseguia ouvir os meus pensamentos. Talvez estivesse a ter apenas um dia mau. Às tantas era isso. Um dia demasiado stressante, com uma carga horária elevada, trabalhos para fazer… Uma folga era bem capaz de resolver. Faltava às aulas de tarde e ia passear sozinho para o Bom Jesus. Desenrascava um piquenique à maneira e ficava tudo porreiro. Um tempo só para mim enquanto contemplava a Natureza e os avós a brincar com os netos. Nem mais.

Apressei-me a regressar à mesa. Momentos depois, preparava-me para avisar a Teresa do que se iria suceder. Estava decidido a tirar umas horas para dedicar ao meu atarefado umbigo.

-Teresa, hoje…

-Não vês que agora estou a falar? Tem calma contigo…

Fiquei fulo. Senti um molho de parafusos a cair ao chão e três ou quatro fusíveis a plissar. A minha pachorra tinha dado as últimas. Primeiro ignoraram-me e agora opunham-se a qualquer intenção comunicativa da minha parte?

Não poucas vezes ouvi dizer: “Guardares aquilo que sentes dá azia”. Parecia que tinha chegado a hora de iniciar o programa de auto-ajuda para raivosos compulsivos. Só me apetecia mandar os tabuleiros pelo ar e fazer uma escandaleira em frente a toda a gente. (Qual seria a reacção das pessoas perante um fenómeno tão anormal como este? Às vezes ponho-me a pensar como é que as pessoas reagiriam se, durante uma cerimónia oficial, alguém ficasse doido e começasse às cabeçadas ao Presidente da República. Ou se, após receber a bênção, apalpassem o Papa. Um caso a estudar. Interessante…)

Controlei-me. Fixei o olhar na máquina das bebidas a tentar adivinhar qual seria o próximo botão a ser pressionado. Tentava a todo o custo pensar noutra coisa, a ver se acalmava. Porém, estava, inconscientemente, a semear problemas. Não fui suficientemente eficiente ou subtil. O meu olhar esgazeado não tardou a chamar a atenção.

-Estás um bocado com cara de parvo… – comentou a Teresa.

-Acontece-lhe frequentemente, pelos vistos… – realçou a meia-leca.

Foi o fim da picada. O emplastro, agora, também mandava bocas?
Quando me preparava para descarregar um chorrilho de insultos aparece uma personagem inesperada. Vinha aos encontrões, a mandar pessoas ao chão. Um ser trôpego com um porte daqueles não passa facilmente despercebido. Sôfrego e suado, pára à minha frente e encosta-se à máquina dos refrigerantes para descansar. Estava a tentar dizer-me algo mas não conseguia. Tentei acalma-lo.

-Xavier senta-te e respira um bocado antes de falar, pá! – aconselhei.

-Não…há…tempo…a perder…

O Xavier aproxima-se da mesa em que estávamos a almoçar, pega no resto da bebida do pigmeu e manda abaixo de golada. Limpa as beiças, arrota. Pede desculpa. Pega no queque da Teresa e enfarda aquilo numa trinca. Limpa as beiças, arrota. Pede desculpa. Levanta-se, dirige-se novamente à máquina de refrigerantes, tira uma lata e abre-a. Interpelo-o:

-Que foi, homem de Deus?

-A Luísa. Vou a Coimbra pedi-la em casamento…

Os meus pensamentos sofreram um solavanco. A minha vida podia estar confusa, mas o Xavier tinha-se passado de vez. Já não o via há algumas semanas. Talvez andasse em raves a meter ácidos e lhe estivesse a dar uma coisinha má. A alucinar. Ou então estava sob influência voodoo. De qualquer forma, como sempre, tentei saber de que forma podia ofertar os meus préstimos.

Perguntei-lhe: -E o que é que eu posso fazer por ti, rapaz?

Ainda sem ter recuperado completamente, tentou ser o mais claro possível:

-Preciso da tua companhia. Não posso fazer nenhuma asneira pelo caminho. É demasiado importante. Além disso, é sempre bom ter um comparsa para ajudar nos tempos difíceis, não é?

Um turbilhão de sensações trespassou-me. Tinha mil coisas para fazer, uma namorada com quem discutir, uma amostra grátis para insultar, meio mundo para mandar às urtigas. Estava numa encruzilhada. Por um lado, tinha a minha vidinha a precisar de umas afinações. Ia ser preciso tempo e paciência para resolver os assuntos, mas, no final, penso que ia conseguir resultados positivos. Por outro lado, podia embarcar numa daquelas aventuras tresloucadas com um dos tipos mais chalados que conheço, sem saber como ou porquê, pondo em prática um plano infalível porque inexistente.

Subitamente, provém, por trás de mim, um calor intenso. Volto-me. A Teresa está praticamente a deitar fumo. Dirige-se-me, em surdina, a ranger os dentes:

-Não estás a pensar em ir embora com este idiota, pois não, Jacinto Novais?

Voltei-me na direcção do Xavier. O rapaz estava com uma expressão que era um misto de esperança e aflição. Tinha de decidir rapidamente. Resolvi seguir o meu instinto. Era tralha que já não dava uso há algum tempo. A minha resposta acabou por ser a mais indicada, vinda de uma mente equilibrada e racional:

-Oupa!
(Fim)

Quem teve pachorra de ler que diga coisas, se fizer favor. A Administração agradece. Obrigado.

domingo, maio 25, 2008

Da Mediocridade

Um cheirinho sobre Direitos de Autor:

Como preferimos fazer o que fazemos melhor, os profissionais tendem a ser pessoas com capacidades inatas acima da média para desempenhar a sua profissão. Mas porque o excepcional é raro a diferença, em média, é pequena. Em média os taxistas não são condutores exímios, os professores não são extraordinariamente cultos e os contabilistas não são génios do cálculo. A diversidade dentro de cada grupo é maior que a diferença média aos outros grupos e, por isso, muitos “amadores” superam muitos profissionais. Até em profissões especializadas é fácil reconhecer que a diferença está principalmente na formação e que o dom pessoal é irrelevante, salvo raras excepções. A média é medíocre por definição.

Mas os meios de comunicação de massas apresentam músicos, jornalistas, escritores e realizadores como imunes a esta lei da probabilidade. Nestas profissões o excepcional é a norma e todos estão acima da média. Impossível, é certo, mas esta indústria vende fantasias e controlava quem dizia o quê e a quem. Foi-lhe fácil criar o mito do Autor. Este ser fantástico supostamente cria do nada coisas tão extraordinárias que merecem legislação especial para que a industria as possa vender enquanto contina com elas em sua posse.

E a ilusão era boa. Ninguém pagaria aulas de Francês se lhe proibissem de falar em público, mas a ideia que quem compra um CD com uma sequência de números está proibido de fazer contas com esses números e dar o resultado a outros não levantou protestos. A ausência de um manguito colectivo imediato testemunha a perfeição da ilusão. Muitos até acreditaram que era por serem bens intelectuais que estas coisas tinham que ser “protegidas”. Nem os anos de escola a aprender línguas e ciência nem a cultura que os rodeava fez duvidar que a produção intelectual humana carecesse de “protecção” jurídica.

Mas a ilusão era frágil. Só controlando a comunicação se podia esconder que autor é uma profissão como outra qualquer, com uma pitada de excepcional numa massa inevitavelmente medíocre. Não no sentido pejorativo mas no verdadeiro sentido da palavra. Faz volume sem ser bom nem mau*. Mas conforme o acesso se vai abrindo torna-se evidente que a maioria dos profissionais pagos para criar não são mais dotados que muitos amadores que criam porque lhes apetece.

A Web não tornou a cultura medíocre. A Web mostrou que sempre foi medíocre a maior parte da treta que nos vendiam como cultura.

No Que Treta!

quinta-feira, maio 08, 2008

On The Road

Andei a adiar a crítica a este livro. Chegou, volvidos quatro meses. Um leitura lenta, como um cozinhado.

«Beat. Um termo que diz muito a poucos e pouco a muitos. No seio da geração Beat, precursora do movimento hippie, jaz(z?) Jack Kerouac. «Pela Estrada Fora», a obra-prima do autor, reflecte sobre aquilo que todos os jovens querem realmente fazer com as suas vidas.

Sal Paradise, nome que Kerouac assume enquanto narrador, inicia o período da sua vida «pela estrada fora» quando conhece Dean Moriarty e o apresenta ao seu amigo Carlo Marx. Assim se inicia a primeira de uma série de viagens pela América dos anos 40. Dean é mais de metade da loucura do enredo. Ex-presidiário, aficionado por automóveis, dá uma cor especial à trama, com o seu estilo absolutamente «nas tintas» e a sua loucura galopante. Loucura será, talvez, a palavra mais repetida do livro. Um ser necessitado, que busca «Aquilo», o que quer que «Aquilo» seja. Comboio, autocarro, à boleia, em carro próprio, partilhado ou roubado, tudo é um meio para atingi-LO. Porque eles têm a «intuição do tempo», e isso é tudo o que importa.

A necessidade de partir está sempre presente. É, aliás, desta forma, que Kerouac estrutura o romance, dividindo-o de acordo com as viagens que o levam até à América profunda. A escrita é impetuosa e agressiva, o tom é gravemente delirante, o que não é de estranhar quando o livro se baseia num manuscrito que foi redigido em três semanas, segundo reza a lenda. É-nos servido um «Novo Oeste» mitológico, ainda cheirando a velho: Hipsters, Okies, Beatnicks, vagabundos, putas e paneleiros; há simplesmente demasiadas personagens para uma vida inteira, quanto mais para uma obra só.

Com participações especiais de Deus, na figura de três ou quatro músicos de Bebop, um estilo de Jazz muito em voga nessa época, ou da miúda mais bonita de sempre e arredores (denominação que atribuíam a cada uma que parecia ser do seu especial agrado), Kerouac apresenta-nos a primeira e derradeira história estilo roadtrip. Uma fornada de gente saída dos horrores da Segunda Grande Guerra, ávida de viver. Uma juventude (tardia?) que nunca quer deixar de o ser, lutando para não morrer de tédio.

É interessante encontrar as diferenças (enormes) entre a época em que decorre a história e a actualidade, parecendo impossível estar a falar-se da mesma América e do mesmo século XX. A pintura idílica do aventureiro imprevisível, descrição exímia de quem pretende tudo e não possui nada. Transcrevo, apenas, uma breve passagem que descreve toda a alma da obra: «Sal, temos de ir sem nunca parar até lá chegarmos. – Chegarmos onde, pá? – Não sei, mas temos de ir.» E assim foram. Pela estrada fora.»

Na 8º Edição do ComUM impresso (página 13).

Bonança antes da Tempestade

O Sol tem andado por aí na vadiagem. E, na próxima semana, vamos acabar as noitadas ao mesmo tempo que ele. Dois dias para o Enterro, sete para o cortejo. Sempre a correr para não cair.

sábado, maio 03, 2008

Mini-Maratona

Faltam cerca de dois meses para pegar nas trouxas e fazer-me à estrada outra vez. E algo me diz que vão passar rápido. Felizmente.

terça-feira, abril 15, 2008

Surreal

Acho que, ao fim de tantos anos, consegui encontrar a coisa mais estranha de sempre. As pessoas ficam perturbadas depois de ver isto. Consiste, basicamente, num desenho animado que passava no Japão às sete e meia da manhã. É mesmo MUITO estranho. Foram avisados...

quarta-feira, abril 09, 2008

Crítica

É só mesmo para deixar um link que estabelece a ligação com uma incerta e indeterminada crítica musical de um certo e determinado matraquilho. No fórum da revista Blitz.

sábado, março 29, 2008

Beirut Band


Interrompo o silêncio a que me votei, inconscientemente, para pôr em cima da mesa o último deslumbre que me entrou pelos ouvidos: Beirut.

Fica aqui um cheirinho com o videoclip da praxe.



If I was young, I'd flee this town
I'd bury my dreams underground
As did I, we drink to die, we drink tonight

Far from home, elephant gun
Let's take them down one by one
We'll lay it down, it's not been found, it's not around

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

Let the seasons begin - it rolls right on
Let the seasons begin - take the big king down

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the night

And it rips through the silence of our camp at night
And it rips through the silence, all that is left is all that i hide

quarta-feira, março 19, 2008

Peniche: A Segunda Investida

De férias outra vez. Já começa a tornar-se repetitivo. Segunda semana da Páscoa em Peniche. Nazaré e Leiria são sítios a visitar. E Lisboa, diz-se. Bairro Alto e tudo. A malta da Wolkswagen Transporter anda por aí à solta.

domingo, março 09, 2008

A Seriedade e o Anonimato

«O nosso pai sempre disse que rir era o melhor remédio. Talvez tenha sido por isso que alguns de nós tenham morrido de tuberculose.» - Jack Handey

Há quem se aleije ao ser engraçado. O caso da hipotética censura ao professor Daniel Luís já teve a sua quota-parte de fama através dos opinion-makers de serviço. Em jornais e em blogues foram apontados dedos à censura, esse mal antigo que tem vindo a ganhar notoriedade na praça pública. Porém, do exercício do humor pouco se falou. Algo estranho, visto que, o humor não é coisa de somenos, ou não teriam «aconselhado» um professor a diminuir o tom ou mesmo a parar com as suas graçolas. Um aconselhamento que poderia ter ido, pelo que se diz, até às últimas consequências. Algo grave, portanto.

Os humoristas, na presença de microfones esgrimidos por jornalistas, são habitualmente questionados acerca dos limites do humor, esse ser aparentemente imenso e incómodo (imensamente incómodo?). Estas perguntas pendem, na maioria dos casos, para o respeito pelas religiões, o direito à imagem pública, etc. Os entrevistados conseguem desembaraçar-se facilmente destas perguntas. Mas, o que acontece se o humorista estiver dependente de uma entidade patronal intransigente? Deve enfrentar as pressões ou dedicar-se a passatempos mais «saudáveis»?

É sabido que vivemos numa sociedade predominantemente engravatada. Muitas pessoas são, elas próprias, lugares-comuns da sabedoria e da austeridade. Ainda passa muito a ideia que alguém mais espevitado ou diferente é, invariavelmente, palerma. “Tiques fascistas”, dirão alguns. Discordo. Ainda não percebo como é que alguns líderes esquerdistas se levam tão a sério. A Direita e a Esquerda não são para aqui chamadas. Estamos é pouco habituados a ser livres, principalmente na parte dos outros serem livres. Quando incomodados por algo, reagimos, instintivamente, tentando calar a fonte da perturbação, principalmente, se esta origem está ao nosso alcance ou, melhor (pior?) ainda, sob a nossa alçada. Respeitinho, um sinónimo usual para medo e subserviência, é que é bonito.

O anonimato, um dos maiores flagelos da Internet, no que à prática do insulto grátis diz respeito, pode ser uma bênção nestas situações. É possível para um autor ter muitos leitores assíduos dos seus conteúdos sem arriscar a pele. As novas tecnologias permitem-no, a um custo muito baixo. Talvez tenha sido esse o erro do professor Daniel. Podendo ser um tipo «às direitas» em público e um agitador sem rosto nas horas vagas, optou pela crença na tolerância das gentes. Erro crasso, pelo menos enquanto a Moral e os Bons Costumes andarem por aí a fazer campanha eleitoral…